A Fifa transforma a ampliação do acesso ao futebol de base em um teste de governança: 189 seleções disputarão, em Baku, a primeira Copa do Mundo Sub-15, num formato sem eliminatórias e com quase 4 mil partidas. Segundo o portal Terra.com.br, o torneio envolve uma entidade privada com alcance mundial — não governos ou federações legislativas —, e importa por mostrar como a Fifa procura combinar participação ampla, organização e legitimidade esportiva.
O que a Fifa está colocando à prova?
A iniciativa se insere num ano de expansão do calendário mundial da entidade. A Fifa promoveu pela primeira vez uma Copa do Mundo profissional com 48 seleções e lançou também uma competição Sub-15 aberta às 211 associações filiadas. Destas, 189 participarão do evento no Azerbaijão, de 24 a 30 de outubro, segundo a fonte.
Não é apenas uma nova categoria. A competição altera a ideia usual de um Mundial: em vez de uma fase eliminatória que reduz progressivamente o número de equipes, todas continuarão jogando até o último dia. Nos três primeiros dias, uma etapa de qualificação distribuirá as seleções em seis níveis; nos três finais, elas enfrentarão equipes do mesmo nível. A vencedora do Nível A será reconhecida como campeã.
A Fifa, como instância internacional que organiza competições e estabelece regras para o futebol associado, decide aqui quem participa e como se define o resultado. Esse poder não é equivalente ao de um governo: não envolve legislação pública nem autoridade sobre cidadãos em geral. Mas tem peso concreto para federações e jogadores, porque determina acesso a uma vitrine esportiva global.
Participação maior significa desenvolvimento?
O argumento mais forte em favor do formato é o da inclusão competitiva. Segundo o Terra, 78 das seleções participantes nunca disputaram uma Copa do Mundo em nenhuma categoria. Um torneio que não elimina equipes logo no início pode oferecer experiência internacional a jovens atletas e ampliar o alcance do futebol organizado para associações que raramente chegam aos palcos mais visíveis.
Esse ganho potencial merece ser reconhecido. A competição pode criar oportunidades para países com menos tradição ou recursos futebolísticos e dar à Fifa uma forma de aproximar suas associações. A participação, porém, não comprova por si só que haverá desenvolvimento duradouro. Para avaliar esse resultado, seriam necessários dados sobre custos, condições de jogo, formação dos atletas e benefícios que permaneçam depois do evento. O texto de referência não informa esses elementos.
Essa distinção importa também para o debate sobre dinheiro público. A fonte não detalha quem financia a operação, quanto ela custa nem se há recursos de governos envolvidos. Portanto, não cabe afirmar que o torneio será bancado pelo contribuinte — nem que não haverá custo público. A cobrança razoável é por transparência financeira e por critérios verificáveis de resultado, especialmente se algum poder público vier a participar do financiamento.
O que muda quando não há eliminatórias?
A escolha privilegia a continuidade da participação em vez da tensão tradicional de um mata-mata. Para os organizadores, isso pode assegurar mais partidas para todos e reduzir a possibilidade de uma seleção deixar o torneio após poucos jogos. Em contrapartida, o título fica associado ao desempenho no Nível A, depois da classificação inicial, e não a uma sequência de confrontos eliminatórios.
Isso não torna o campeonato sem valor, mas muda o que ele mede. Um Mundial convencional premia quem sobrevive a uma chave decisiva; este formato parece combinar classificação por níveis com uma disputa final entre equipes de desempenho comparável. A descrição disponível não esclarece os critérios completos de pontuação, a duração das partidas ou outros detalhes das regras. Sem essas informações, é cedo para julgar se o desenho equilibra bem inclusão e mérito esportivo.
Quase 4 mil partidas também representam uma escala incomum para um evento de poucos dias. O número destaca a ambição organizacional, mas não é, isoladamente, prova de eficiência: a avaliação depende de como os jogos serão distribuídos e de quais recursos serão necessários. A Fifa deve demonstrar que a quantidade se traduz em competição de qualidade, e não apenas em volume de atividade.
Ausências: o que se sabe e o que permanece incerto?
A fonte identifica ausências, mas ressalva que nem todos os países explicaram publicamente suas razões. A Coreia do Norte será a única ausência asiática; o texto observa que o país tem resultados expressivos no futebol feminino de base, enquanto as campanhas dos garotos não repetem esse sucesso. Não se deve tratar essa diferença como explicação confirmada para a ausência.
Na África, Eritreia e Líbia não participarão. Sobre a Eritreia, o Terra relata que o país já desistiu das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, a fim de evitar que jogadores tentassem pedir asilo durante viagens ao exterior. É um contexto relevante, mas não autoriza atribuir automaticamente a mesma motivação a outras ausências.
O texto também descreve como unânime o apoio ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, na África. Essa caracterização ajuda a situar a relação política entre a entidade e suas associações, mas não prova que a adesão ao torneio decorra de apoio pessoal ao dirigente. A presença de muitas seleções pode reforçar a imagem de alcance global da Fifa; não permite, sozinha, concluir que haja consenso sobre sua gestão.
Por que isso importa
O caso não traz consequência direta identificável para o governo brasileiro, o Congresso ou o STF: trata-se de uma competição organizada pela Fifa, e o material disponível não aponta decisão brasileira em jogo. Sua relevância política está em outro plano: a entidade concentra poder para definir formatos, calendários e oportunidades de exposição no futebol internacional.
Para uma avaliação liberal e orientada por resultados, ampliar o acesso é uma finalidade defensável, mas não deve encerrar a discussão. A Fifa precisa mostrar se o formato entrega desenvolvimento real, como administra a escala e quais são os custos e responsabilidades envolvidos. A inclusão é um mérito possível; sem transparência e indicadores, permanece também uma promessa institucional.
O precedente será acompanhado pelo modo como a experiência for avaliada. Se a competição oferecer jogos organizados e benefícios concretos às federações menos presentes no cenário mundial, a expansão terá argumento a seu favor. Se a principal evidência for apenas o número de participantes e partidas, a pergunta sobre eficácia continuará aberta.
Perguntas frequentes
Quantas seleções participarão?
Serão 189 das 211 associações filiadas à Fifa, segundo o portal Terra.com.br. A fonte informa que 78 participantes nunca jogaram uma Copa do Mundo em nenhuma categoria.
Como será definido o campeão?
Após três dias de qualificação, as equipes serão divididas em seis níveis. Nos três dias finais, jogarão contra seleções do mesmo nível; a vencedora do Nível A será reconhecida como campeã.
Por que a competição não terá eliminatórias?
A proposta mantém todas as equipes jogando até o último dia. Isso favorece a participação contínua, embora o formato seja diferente do caminho eliminatório tradicional.
Há confirmação sobre o custo do torneio ou a razão de todas as ausências?
Não no texto de referência. A fonte diz que nem todos explicaram as ausências e não detalha financiamento, despesas ou eventual participação de recursos públicos.
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