Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta segunda-feira (31) pelo portal Terra.com.br mostra que a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno recuou de 6,3 para 4,5 pontos percentuais em menos de um mês. Lula passou de 49,2% para 47,1%, enquanto Flávio oscilou marginalmente de 42,9% para 42,6%. A diferença continua favorável ao presidente, mas a leitura mais relevante do levantamento não está no placar do segundo turno — está na dinâmica do primeiro, onde a oposição aparece perigosamente fragmentada e o senador Flávio, apesar de virtualmente garantido na segunda volta, não consegue romper o próprio teto eleitoral.
O segundo turno e o que os números realmente dizem
Em cenário de cabeça a cabeça, Lula mantém 4,5 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro — oscilação próxima, mas ligeiramente acima, da margem de erro de um ponto percentual para mais ou para menos. Tecnicamente, o quadro segue administrável para o Palácio do Planalto. Politicamente, porém, a tendência preocupa mais do que o número absoluto sugere.
Quem se movimentou foi Lula: ele cedeu 1,8 ponto em um único ciclo de medição. Flávio praticamente repetiu o resultado anterior, com variação de 0,3 ponto para baixo, o que equivale a estabilidade. Em outras palavras, a queda do incumbent não foi compensada por crescimento do principal nome da oposição. Ocorreu justamente o oposto: o eleitor que estava com Lula migrou para outros candidatos no primeiro turno — e parte dele pode não retornar automaticamente em uma segunda volta.
Primeiro turno: a fragmentação como risco real
No levantamento anterior, Lula tinha 45% e Flávio, 36% no primeiro turno, com Cury em 1,6%. Agora, o presidente aparece com 43,4% e o senador do PL com 33,7%. A maior surpresa foi a ascensão do psicanalista Augusto Cury (Avante), que saltou para 7,8% — um crescimento de mais de seis pontos em uma única medição, atribuído por analistas ao "boom" recente de seguidores em redes sociais.
O quadro do primeiro turno ficou assim, segundo o portal Terra.com.br:
- Lula (PT): 43,4%
- Flávio Bolsonaro (PL): 33,7%
- Augusto Cury (Avante): 7,8%
- Renan Santos (Missão): 7,6%
- Ronaldo Caiado (PSD): 3,3%
Há, portanto, três nomes relevantes disputando o eleitorado de centro e de direita antipetista fora do campo bolsonarista: Cury, Renan Santos e Caiado. Somados, esses três candidatos alcançam 18,7% das intenções de voto — mais da metade do que Flávio Bolsonaro registra sozinho.
O paradoxo Flávio: base sólida, teto estreito
A leitura editorial d'A Bússola Nacional é direta: o senador Flávio Bolsonaro tem hoje uma base eleitoral consolidada e leal, mas ainda não demonstrou capacidade de romper o teto aproximado de 36% no primeiro turno. O número do segundo turno (42,6%) confirma que ele consegue agregar boa parte do campo anti-PT quando o confronto é binário — mas não no primeiro turno, quando o eleitor tem opções reais de dispersão.
Para o centro-direita preocupado com as consequências de um novo ciclo petista — em termos de carga tributária, expansão da máquina estatal, segurança jurídica e liberdade econômica —, esse teto é o gargalo estratégico da oposição. Consolidar Flávio em 40% no primeiro turno exige duas coisas simultâneas: reduzir a sangria para nomes como Caiado e Cury, e crescer além do núcleo bolsonarista clássico.
Por que Cury importa — mesmo fora do eixo
A ascensão de Augusto Cury não deve ser tratada como acidente estatístico. Movimentos dessa magnitude em uma única medição refletem, em geral, três fatores: exposição midiática recente, baixa lembrança de pesquisa anterior (o que infla artificialmente a taxa de resposta) e uma insatisfação difusa do eleitorado com os nomes tradicionais. Cury não tem, até aqui, estrutura partidária capaz de levá-lo ao segundo turno — mas sua presença em 7,8% já é suficiente para impedir que Flávio some esses votos automaticamente em outubro.
Há, ainda, um fenômeno paralelo a observar: o desempenho pífio de Ronaldo Caiado (PSD), com 3,3%. Governador de Goiás, com máquina pública à disposição e reconhecimento nacional, o candidato do PSD aparece abaixo de nomes sem expressão partidária equivalente. Isso sugere que o eleitorado de centro-direita não está procurando experiência administrativa — está procurando identidade. Flávio tem identidade clara. Caiado, até aqui, não conseguiu transmitir a sua com a mesma nitidez.
Por que isso importa
Três consequências práticas derivam desta medição:
- Para Lula: a margem de 4,5 pontos no segundo turno é administrável, mas não folgada. Uma nova queda de 2 a 3 pontos em medição futura coloca a disputa tecnicamente empatada. O Planalto precisa reduzir a fragmentação à esquerda ou expandir sua base própria antes que a erosão se acumule.
- Para Flávio Bolsonaro: o calendário da campanha exige acelerar etapas. Cada semana sem redução do teto de 36% no primeiro turno é uma semana em que o risco de derrota no primeiro turno — improvável, mas não impossível em cenários de fragmentação extrema — permanece no horizonte.
- Para a oposição como bloco: sem coordenação mínima entre os nomes competitivos do campo anti-PT, o caminho para a derrota em outubro está traçado. A matemática é cruel: se Flávio mantiver 33,7% e os demais candidatos do campo somarem 18%, Lula vence no primeiro turno mesmo ficando abaixo de 45%.
Esta análise registra, com a honestidade intelectual que o leitor exige, o que os números também não dizem: o ciclo eleitoral está apenas começando, o debate público nem de longe se intensificou e a taxa de indecisos somada à daqueles que citam outros nomes menores deve ser superior a 15%. Há tempo para rearranjos — e para erros também. A tendência atual, vale repetir, não é favorável a Lula; mas tampouco é irreversível.
Perguntas frequentes
Quem lidera a pesquisa?
O presidente Lula lidera tanto no primeiro turno (43,4%) quanto no segundo turno (47,1%) sobre Flávio Bolsonaro, segundo o levantamento Atlas/Bloomberg divulgado pelo portal Terra.com.br.
A vantagem de Lula está crescendo ou diminuindo?
Diminuindo. No segundo turno, a diferença caiu de 6,3 para 4,5 pontos percentuais entre uma medição e outra. A variação está ligeiramente acima da margem de erro de 1 ponto.
Quem é o terceiro colocado?
O psicanalista Augusto Cury (Avante), que saltou de 1,6% para 7,8% em uma única medição, seguido de perto por Renan Santos (Missão), com 7,6%.
Flávio Bolsonaro pode perder no primeiro turno?
Improvável segundo os números atuais, mas não impossível em cenário de fragmentação crescente do campo anti-PT. Lula precisaria ultrapassar 50% dos votos válidos, o que exigiria que Flávio ficasse abaixo de 40% e que a esquerda se mantivesse coesa.
O que é a Atlas/Bloomberg?
A AtlasIntel é um instituto de pesquisa brasileiro com histórico recente de acurácia em pleitos presidenciais. A divulgação é feita em parceria com a Bloomberg, um dos principais veículos de informação financeira do mundo.
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