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Presidenciais 2026: 14 chapas, três ou quatro disputam votos

Eleições 2026 têm 14 candidatos à Presidência, mas só 3 ou 4 são competitivos. Cury e a desistência de Barbosa mostram o peso de chapas sem viabilidade real.

Por Marina Cordovil · · 6 min de leitura

Presidenciais 2026: 14 chapas, três ou quatro disputam votos
Presidenciais 2026: 14 chapas, três ou quatro disputam votos

O Brasil entra na corrida presidencial de 2026 com um quadro raro: 14 nomes registrados no Tribunal Superior Eleitoral para o posto de presidente da República. Segundo o portal Globo, a lista reúne desde uma psiquiatra escritora conhecida pelos livros de autoajuda até uma advogada de 39 anos que assumiu a vaga aberta por uma desistência de última hora. Antes da abertura das urnas, em 4 de outubro, essa relação ainda pode mudar — e costuma mudar.

O calendário e o tamanho do colégio eleitoral

O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com votação das 8h às 17h no horário de Brasília. O eventual segundo turno será em 25 de outubro. O país tem 158.745.463 eleitores aptos, o que faz da disputa uma das maiores operações logísticas do mundo sob coordenação do TSE.

14 candidatos: o que o número realmente diz

Listas longas em eleições presidenciais brasileiras são mais sintoma do que substância. A maior parte desses nomes disputa espaço na urna para obter tempo de rádio e televisão, manter o partido dentro do mínimo legal e acessar fatias do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha. Competir de verdade é tarefa para meia dúzia de postulantes, no máximo.

Esse padrão tem custo. A Justiça Eleitoral financia a confecção de cédulas físicas proporcional ao tamanho dos colégios, além da propaganda gratuita e da estrutura de fiscalização. Tudo pago pelo contribuinte — que, na prática, subsidia também candidaturas que não disputam voto.

O caso Cury: autoajuda como plataforma presidencial

É o ponto que merece leitura mais cuidadosa da semana. Augusto Cury, 67 anos, levará às urnas a chapa do Avante, com o ex-dependutado federal Júlio Delgado como vice. Psiquiatra e escritor conhecido pelo público de livros de gestão emocional e superação, o candidato construiu um programa batizado de O Brasil dos nossos sonhos em torno de três eixos: fim da polarização, equilíbrio entre valores que ele atribui à direita — como responsabilidade fiscal — e à esquerda — como foco social — e empreendedorismo.

No documento há duas propostas concretas: a criação de um ministério dedicado ao empreendedorismo e a construção de 10 mil escolas especializadas no tema. Ambas merecem leitura crítica do ângulo liberal.

Criar uma pasta nova, em contexto de contenção fiscal e com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços já em funcionamento, é, em princípio, expansão de máquina sem justificativa funcional clara. A experiência mostra que secretarias e ministérios tendem a se cristalizar: começam com prazo definido, tornam-se permanentes, multiplicam cargos de confiança, assessorias especiais e gratificações — e resistem mesmo depois de a motivação original se esgotar.

As 10 mil escolas de empreendedorismo dependem de fonte de custeio — federal, estadual, municipal ou em parceria com o setor privado. Sem isso, a proposta entra na categoria de promessa que rende bem em palanque, mas não sobrevive ao primeiro exame da Secretaria do Tesouro Nacional. Cury venderia melhor a ideia como programa educacional articulado com estados e municípios, com financiamento do BNDES ou do sistema S, em vez de prometer estrutura federal dedicada.

O mérito da candidatura, é justo registrar, é de outra natureza: leva ao debate nomes que normalmente não disputam eleição majoritária, o que em tese democratiza a oferta. O problema é quando esses nomes chegam sem diagnóstico deEstado nem responsabilidade fiscal embutida — apenas entusiasmo temático. Para uma nação atolada em déficit primário persistente, dívida pública acima de 75% do PIB e regras fiscais em reforma permanente, "O Brasil dos nossos sonhos" soa como prescrição motivacional escrita para um paciente que não pode esperar.

Joaquim Barbosa, Eymael e a relevância real

A outra chapa detalhada pelo portal Globo é a do Democracia Cristã, com a advogada Clariana Barão, 39 anos, e a vice Fabiana Torquato, 46. Barão entrou na corrida após a desistência de Joaquim Barbosa, ex-ministro do STF, anunciado como pré-candidato da legenda e retirado antes do registro. Nas seis eleições presidenciais anteriores, o partido foi representado por José Maria Eymael, que virou a personificação de uma presença simbólica — sempre na urna, nunca competitivo.

A saída de Barbosa confirma um movimento conhecido: nomes com capital reputacional costumam recuar diante da ausência de base partidária, financiamento compatível e estrutura. Pré-candidatura sem musculatura custa imagem pessoal e, no limite, credibilidade institucional. A retirada foi prudente — resta saber se o partido, sem Eymael pela primeira vez desde 2010, conseguirá manter os indicadores mínimos exigidos pelo TSE para preservar o registro.

Por que isso importa

Para o eleitor, a implicação prática mais relevante é direta: das 14 chapas, três ou quatro concentrarão votos; o restante será figurante. Decidir com base em programa, lastro técnico e viabilidade fiscal é o que separa voto útil de voto de protesto que se converte em desperdício de urna.

Para o processo político, duas tendências merecem destaque. A primeira é a personalização extrema de candidaturas partidárias de baixa estrutura — sintoma da fragilidade do sistema de partidos, não da vitalidade democrática. A segunda é a importação de linguagem terapêutica para a arena eleitoral, movimento que se acelera desde 2018 e tende a empobrecer o debate ao substituir diagnóstico por afeto.

Para a gestão do Estado, vale o princípio que esta casa repete: qualquer proposta de expansão de máquina precisa ser avaliada pelo custo, não pela intenção declarada. Ministério novo sem justificativa funcional, programa educacional sem fonte de recursos e promessas vagas de "equilíbrio entre direita e esquerda" costumam se resolver, no orçamento, em mais despesa, mais imposto e menos resultado.

Perguntas frequentes

Quando é o primeiro turno das eleições 2026?

Em 4 de outubro, das 8h às 17h no horário de Brasília. Se houver segundo turno, a nova votação será em 25 de outubro.

Por que há tantos candidatos a presidente?

O número reflete, em grande parte, a fragmentação do sistema partidário. Muitos partidos lançam nomes para garantir acesso ao Fundo Partidário, ao tempo de TV e ao funcionamento regular, sem pretensão real de vitória.

Augusto Cury tem chance de vitória?

A candidatura é essencialmente simbólica. Sua base eleitoral está concentrada no público consumidor de suas obras e palestras, sem estrutura partidária nem alianças que sustentem votação nacional relevante.

Por que Joaquim Barbosa desistiu?

O texto da fonte não detalha o motivo. Na prática política, candidaturas sem estrutura partidária e financiamento compatível costumam arrefecer antes do registro, diante do custo pessoal e institucional que impõem.

Quem deve definir os rumos efetivos da corrida?

Os candidatos competitivos — nomes com base partidária, densidade de financiamento e musculatura eleitoral —, em número bem menor do que os 14 registrados, é que disputarão efetivamente o segundo turno.

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