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Vicentinho Júnior é investigado por suspeita de corrupção

Investigação da PF sobre Vicentinho Júnior aponta pagamentos suspeitos e contratos de R$ 59,2 milhões; deputado não foi indiciado, e caso cobra transparência.

Por Otávio Salgado · · 7 min de leitura

Vicentinho Júnior é investigado por suspeita de corrupção
Vicentinho Júnior é investigado por suspeita de corrupção

A Polícia Federal investiga se o deputado federal e candidato ao governo do Tocantins Vicentinho Júnior (PSDB) recebeu pagamentos para favorecer uma empresa em contratos da Secretaria estadual de Educação. O caso, levado pela PF ao Supremo Tribunal Federal, ganhou peso político porque o parlamentar disputa o segundo turno, mas exige uma distinção essencial: há suspeitas descritas em relatório, não uma condenação — e, segundo as informações disponíveis, ele não foi indiciado.

Segundo o portal Abril.com.br, a investigação aponta que a Larclean Saúde Ambiental Ltda. teria sido favorecida em licitações e que pagamentos mensais, somados a R$ 420 mil, teriam sido feitos ao deputado e à esposa por meio de uma empresa registrada em nome dela. A PF também identificou contratos e aditivos da Larclean com a Secretaria de Educação que totalizam R$ 59,2 milhões entre 2021 e 2024. Esses valores tornam a apuração relevante para além da disputa eleitoral: envolvem o uso de recursos públicos e a integridade de compras do Estado.

O que a investigação afirma — e o que ainda não está provado

A apuração surgiu a partir de elementos da Operação Overclean, que investigou desvios de recursos públicos na Bahia. A PF afirma ter identificado um braço de atuação no Tocantins e descreve um modo de operação semelhante nos dois estados: pagamentos e benefícios a agentes públicos e políticos em troca de vantagens em licitações.

No Tocantins, os investigadores analisaram contratos da Larclean, pertencente aos irmãos Alex e Fábio Parente. Em relatório enviado ao STF em setembro de 2025, a PF registrou indícios de que a empresa teria sido beneficiada indevidamente, em prejuízo de concorrentes, para vencer um pregão da Secretaria estadual de Educação.

Segundo a PF, Vicentinho Júnior teria recebido pagamentos mensais de R$ 20 mil para usar sua influência em favor da empresa. A investigação cruzou anotações da Larclean com dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário e apontou transferências da BraTeles para a GMD Borba Distribuidora Eireli, empresa registrada em nome da esposa do deputado. Os pagamentos, que teriam ocorrido de janeiro de 2023 a 2024, somariam R$ 420 mil.

A PF também informou que a GMD Borba, formalmente registrada como distribuidora de bebidas alcoólicas, teria movimentado mais de R$ 170 milhões entre janeiro de 2019 e abril de 2025. Esse volume, por si só, não prova a origem ilícita dos recursos. O que cabe esclarecer é como a movimentação se relaciona com a atividade declarada da empresa, com os pagamentos apontados e com os contratos públicos investigados.

O deputado é investigado por suspeita de corrupção passiva, lavagem de capitais e organização criminosa. Mas a própria informação de que não foi indiciado importa: as conclusões descritas pela PF ainda não equivalem a uma decisão judicial sobre culpa. A defesa do parlamentar e os documentos completos da investigação também são necessários para uma avaliação equilibrada, e não estão detalhados no texto de referência.

Por que o STF aparece no caso?

O relatório foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, instância que pode atuar em investigações envolvendo autoridades com prerrogativa de foro, conforme as regras constitucionais e a jurisprudência aplicável. A presença do STF não significa que o tribunal tenha confirmado as suspeitas, nem que tenha condenado qualquer investigado. Significa que o caso está submetido a uma instância judicial que deverá avaliar os elementos e os próximos passos processuais cabíveis.

Essa distinção é importante em uma disputa eleitoral. A PF reúne indícios e conduz diligências; o Judiciário decide questões processuais e, se houver denúncia e julgamento, avalia a responsabilidade criminal. O eleitor, por sua vez, precisa considerar tanto a gravidade das suspeitas quanto o estágio ainda preliminar do caso. Tratar investigação como condenação enfraquece a presunção de inocência; ignorar uma apuração sobre contratos milionários também seria irresponsável.

O que está em jogo no segundo turno

No primeiro turno citado, Vicentinho Júnior recebeu 43,94% dos votos válidos, contra 45,52% de Dorinha Rezende (União Brasil). A diferença foi de 1,58 ponto percentual. É uma disputa apertada, na qual a credibilidade dos candidatos e a capacidade de responder a questionamentos podem pesar — embora não seja possível afirmar, com os dados disponíveis, quanto a investigação alterará o comportamento dos eleitores.

Para o candidato, o desafio é responder com clareza sobre os fatos concretos: a relação com a empresa, a natureza dos pagamentos apontados e a movimentação da GMD Borba. Uma resposta baseada apenas em contestar a existência de condenação não resolve as dúvidas políticas; ao mesmo tempo, adversários não devem apresentar como provada uma acusação ainda sob investigação. O padrão adequado é cobrar explicações sem substituir o processo judicial por um veredito de campanha.

Para a concorrente, o caso pode se tornar um tema central do debate, mas há um limite: explorar suspeitas sem respeitar o estágio da apuração pode produzir desgaste e confundir crítica política com afirmação de culpa. Para os eleitores, a pergunta prática não é apenas se há uma investigação, mas como o candidato responde a ela e que garantias oferece de transparência na gestão de contratos públicos.

O que o caso revela sobre contratos e dinheiro público

Contratos de R$ 59,2 milhões com uma secretaria estadual não são apenas cifras contábeis. São recursos que pertencem ao contribuinte e deixam de estar disponíveis para outras prioridades. Quando há suspeita de favorecimento em licitação, o dano potencial vai além de eventual propina: a concorrência pode ser prejudicada, o Estado pode pagar mais do que pagaria em um processo competitivo e serviços públicos podem perder qualidade.

Esse risco merece atenção independentemente da orientação política de quem governa. Licitações bem desenhadas e fiscalizadas reduzem oportunidades para favorecimento e dão previsibilidade às empresas que competem legalmente. Isso protege a iniciativa privada contra concorrentes que, se as suspeitas forem confirmadas, teriam obtido vantagem por acesso político em vez de eficiência ou preço.

O episódio também se insere em uma questão mais ampla: a capacidade de redes investigadas em um estado estenderem suas operações a outros. A ligação apontada pela PF entre a Operação Overclean, na Bahia, e suspeitas no Tocantins sugere que as apurações de corrupção podem atravessar fronteiras estaduais e envolver empresas, intermediários e agentes públicos. É uma hipótese investigativa a ser comprovada, não uma conclusão definitiva sobre todos os citados.

Por que isso importa

O caso combina três temas de interesse público: uma eleição estadual disputada, contratos de grande valor e uma investigação que chegou ao STF. Sua consequência mais imediata é política: obriga o candidato a prestar contas em plena campanha e coloca a transparência sobre compras públicas no centro do debate. A consequência institucional dependerá do que a PF comprovar e do que o Judiciário decidir.

Para o contribuinte, a cobrança deve ser objetiva: houve competição real no pregão? Os aditivos tinham justificativa e entregas verificáveis? A movimentação financeira apontada corresponde a operações legítimas? O material disponível não responde a essas perguntas, mas indica por que elas precisam ser esclarecidas. Sem respostas, a confiança nos contratos públicos e na capacidade de fiscalização do Estado sofre; com respostas documentadas e um processo regular, reduz-se o espaço para condenações antecipadas e para impunidade.

A posição editorial desta análise é simples: suspeitas de corrupção em compras públicas merecem apuração rigorosa porque podem transferir recursos do contribuinte e distorcer a concorrência. Mas rigor também significa não confundir indício com culpa. A presunção de inocência não impede cobrança política; ela impede que a cobrança se apresente como sentença.

Perguntas frequentes

Vicentinho Júnior foi condenado ou indiciado?

Não, segundo o texto de referência. Ele é investigado pela PF e não chegou a ser indiciado; não há notícia de condenação.

Qual é o valor dos contratos investigados?

A Larclean firmou contratos e aditivos com a Secretaria estadual de Educação que, juntos, somam R$ 59,2 milhões entre 2021 e 2024.

O que a PF afirma sobre os pagamentos?

A PF aponta pagamentos mensais de R$ 20 mil, feitos por meio de empresas, que teriam totalizado R$ 420 mil para o deputado e sua esposa. A suspeita ainda depende de apuração e avaliação judicial.

A movimentação de R$ 170 milhões prova crime?

Não por si só. A PF informou que a empresa da esposa movimentou esse montante entre 2019 e 2025; a origem e o significado das operações precisam ser esclarecidos no contexto da investigação.

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