Faltando pouco mais de um mês para o primeiro turno das eleições gerais, a disputa pela Presidência entra na fase em que os números consolidam caminhos e encurtam alternativas. A pesquisa Quaest que será divulgada na quarta-feira, 2 de setembro, segundo o portal Abril.com.br, não é mais um retrato de tendência — é um ponto de inflexão. O levantamento, com coleta entre 30 de agosto e 1º de setembro e 2.004 entrevistas, vai medir simultaneamente intenção de voto, rejeição, firmeza da escolha, avaliação do governo Lula, percepção econômica e a influência de propaganda e debates. Para o campo da centro-direita, a leitura correta desses dados é o que separa disputa aberta de vitória encaminhada.
O que a Quaest vai medir — e o que cada pergunta realmente pergunta
O desenho do levantamento segue um padrão rigoroso: primeiro, uma pergunta espontânea, em que o eleitor cita de memória em quem pretende votar. Depois, dois cenários estimulados — um com Pablo Marçal, outro sem — com a mesma lista de 13 nomes: Lula, Flávio Bolsonaro, Pablo Marçal, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Augusto Cury, Clariana Barão, Edmilson Costa, Hertz Dias, Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi e Samara. Por fim, a pesquisa pergunta se o voto é definitivo ou se ainda pode mudar.
Cada uma dessas perguntas é uma engrenagem. A espontânea revela quem de fato penetrou o imaginário do eleitor fora do estímulo do nome — é o indicador mais puro de recall de campanha. Os dois cenários permitem isolar o efeito Marçal sobre o campo da direita e, em particular, sobre Flávio Bolsonaro. E a pergunta sobre firmeza transforma intenção em intenção consolidada, separando eleitor de campanha de eleitor de convicção.
Há, ainda, blocos sobre imagem pessoal de Lula e Flávio, sobre os chamados casos Dark Horse e Lulinha, e sobre o impacto da propaganda eleitoral gratuita e dos debates. Ou seja: o levantamento foi desenhado para capturar o estado da corrida depois do horário eleitoral e do primeiro grande debate nacional.
Por que o cenário "sem Marçal" importa tanto para o campo da centro-direita
Pablo Marçal não é um candidato qualquer no tabuleiro. Em 2022, sua candidatura ao Palácio do Planalto rachou o voto da direita e, segundo analistas do próprio campo, contribuiu para a derrota no segundo turno. Hoje, ele aparece nos dois cenários que a Quaest vai testar, e a diferença entre o cenário com e sem ele é justamente o termômetro da capacidade de Flávio Bolsonaro de unificar o campo conservador — ou de o quanto esse campo continua fragmentado.
Para o eleitor que se identifica com pautas de liberdade econômica, segurança pública e costumes conservadores, a pergunta prática é direta: se Marçal sair da disputa ou migrar para outro cargo, o voto dele vai para Flávio, vai para Ronaldo Caiado, vai para branco ou se dispersa? A resposta a essa pergunta define se o segundo turno será competitivo ou se o presidente Lula entra nele com vantagem estrutural.
A leitura dos adversários antes da resposta da Bússola
Antes de cravar uma avaliação, vale registrar o argumento mais forte do campo adversário. O PT e a militância governista sustentam que Lula tem base consolidada entre os mais pobres e no Nordeste, que sua aprovação real é maior do que as pesquisas de intenção mostram, que a máquina federal foi mobilizada nos primeiros meses de 2025 e que a propaganda eleitoral vai operar a favor do recall de realizações sociais. Trata-se de uma leitura defensável, sustentada em dados reais de transferência de renda, no peso do Bolsa Família no orçamento familiar das faixas de menor renda e em uma estrutura partidária que continua a maior do país.
A partir do ângulo editorial desta Bússola, essa leitura precisa ser confrontada com dois fatos que costumam ser deixados de lado: a desaprovação consistente do governo nos estratos médios e entre trabalhadores formais, e o custo fiscal crescente das políticas de transferência, que pressiona a dívida pública e a carga tributária — exatamente os pontos que definem a qualidade do ajuste fiscal e a segurança jurídica de longo prazo. Boa intenção declarada não é resultado medido.
O que está em jogo: consolidação ou fragmentação
Uma campanha eleitoral chega ao último mês com três estados possíveis: vencedor consolidado, disputa aberta ou fragmentação crescente. A pesquisa Quaest de setembro vai dizer em qual deles estamos.
- Para o governo Lula: o termômetro é a taxa de firmeza do voto. Se mais de 80% dos que declaram voto em Lula disserem que a decisão é definitiva, a base está travada. Se houver erosão, abre-se flanco para o campo adversário.
- Para Flávio Bolsonaro: o termômetro é o delta entre o cenário com Marçal e o cenário sem Marçal. Quanto menor o delta, mais resiliente é o voto no senador. Quanto maior, mais dependente a centro-direita está de um acordo para evitar nova derrota em 2022.
- Para o eleitor: o termômetro é a percepção de economia. Pesquisas Quaest costumam mostrar que avaliação pessoal de situação econômica pesa mais do que indicadores agregados como PIB e inflação. Esse bloco do questionário será decisivo.
Em outras palavras: a pesquisa não vai apenas medir intenção de voto. Ela vai medir se a corrida de 2026 já tem dono ou se ainda é uma corrida aberta.
Por que isso importa agora
Estamos no ponto da campanha em que cada ponto percentual de intenção de voto consolidado vale mais do que valia em junho. Recursos do fundo eleitoral, tempo de rádio e TV e adesões tardias de partidos são alocados com base na fotografia de setembro. Quem aparece consolidado atrai apoio do Centrão e de partidos medianos; quem aparece fragilizado perde governabilidade já no primeiro turno e arrisca repetir 2022.
Para a centro-direita, a consequência prática mais relevante é esta: se a pesquisa confirmar Flávio Bolsonaro em segundo lugar firme e com taxa de consolidação acima de 70%, o caminho para o segundo turno está aberto. Se mostrar Flávio próximo de Marçal ou atrás dele no cenário estimulado, a pressão por uma candidatura única de oposição se intensifica — o que pode significar Caiado, Zema, ou mesmo um nome ainda não testado entrando como Dark Horse.
Há ainda um efeito institucional relevante. O bloco de perguntas sobre os casos Lulinha e Dark Horse indica que o levantamento pretende medir o impacto de escândalos e da entrada de outsiders no cálculo do eleitor. Essa é a parte em que a variável jurídica cruza a variável eleitoral: processos em curso, denúncias e novas investigações podem alterar a fotografia da corrida em tempo real.
Perguntas frequentes
Quando a pesquisa Quaest será divulgada? Segundo o portal Abril.com.br, a divulgação está marcada para quarta-feira, 2 de setembro, com coleta entre 30 de agosto e 1º de setembro.
Quantos eleitores serão ouvidos? O levantamento terá 2.004 entrevistas com eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos nacionalmente.
Por que testar dois cenários com e sem Pablo Marçal? Porque Marçal é o principal fator de dispersão do voto da direita. Comparar os dois cenários permite medir o tamanho do dano — ou a resiliência — que a candidatura dele provoca sobre Flávio Bolsonaro.
O que é a pergunta sobre firmeza do voto? É a etapa em que o eleitor que escolheu um candidato é perguntado se sua decisão é definitiva ou se ainda pode mudar até a eleição. Separa intenção volátil de intenção consolidada.
O que os casos Dark Horse e Lulinha podem indicar? São blocos temáticos incluídos no questionário para testar o impacto de escândalos específicos e da possível entrada de um novo candidato sobre o cenário competitivo. O conteúdo exato das perguntas só será conhecido quando a pesquisa for divulgada.
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