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Candidatura de Zema expõe direita fragmentada para 2026

Novo oficializa candidatura de Zema à Presidência, mas a falta de um vice e a pulverização da direita, com 3% nas pesquisas, deixam a eleição de 2026 aberta.

Por Beatriz Andrade Lima · · 6 min de leitura

Candidatura de Zema expõe direita fragmentada para 2026
Candidatura de Zema expõe direita fragmentada para 2026

Zema vira candidato à Presidência, mas o tabuleiro da direita continua sem peça central

O Novo oficializou nesta segunda-feira (27), em convenção em Brasília, a candidatura de Romeu Zema ao Palácio do Planalto. A confirmação, esperada desde o início do ano, ainda não resolveu o principal nó da chapa — a escolha do vice — e expõe um problema maior: a fragmentação do campo à direita de Lula em um momento em que o calendário exige consolidação. Para o leitor que acompanha o xadrez de 2026, o anúncio é menos um ponto de chegada e mais um lembrete de quanto a corrida ainda está aberta.

O que foi decidido e o que continua em aberto

Segundo o portal Abril.com.br, a convenção selou o nome de Zema, ex-governador de Minas Gerais, mas deixou em aberto duas decisões cruciais:

  • Companheiro de chapa: entre os nomes cogitados está o do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa, que chegou a avaliar uma candidatura própria pelo Democracia Cristã (DC). O presidente do Novo, João Caldas, afirmou não se opor à composição e classificou a hipótese como "uma grande chapa".
  • Aliança partidária: o Novo discute uma aproximação com o Podemos, o que poderia ampliar o tempo de televisão e o bolo de recursos do Fundo Partidário para a campanha.

A indefinição não é detalhe burocrático. Vice e coligações são, na prática, o que diferencia um candidato com densidade eleitoral de um candidato com boas intenções e estrutura curta.

Quem é Romeu Zema no tabuleiro nacional

Zema foi governador de Minas Gerais entre 2019 e 2026 e construiu sua imagem sobre dois pilares facilmente identificáveis para o eleitor de centro-direita:

  • Plataforma liberal na economia: defesa de privatização de estatais — incluindo Petrobras e Banco do Brasil, segundo a reportagem — e expansão de parcerias público-privadas como alternativa ao gasto público direto.
  • Confronto direto com o STF: ataques reiterados a ministros da Corte que classifica como "intocáveis". Esse discurso tem custo e benefício — rende base mobilizada, mas também processos: Zema é réu em ação movida pelo ministro Gilmar Mendes por calúnia.

Ainda no terreno dos confrontos, o mineiro repudiou publicamente a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que lhe custou o apoio do ex-deputado Eduardo Bolsonaro — um sinal de que, na direita bolsonarista, Zema já não é visto como aliado automático.

Os números e o que eles dizem de verdade

O levantamento Nexus/BTG divulgado no mesmo dia 27 mostrou Zema com 3% das intenções de voto, empatado tecnicamente com Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Cabo Daciolo (Mobiliza). Cinco nomes em um mesmo ponto percentual é, na prática, a ilustração numérica de um campo pulverizado.

Vale registrar o que essa leitura dos dados não autoriza dizer: pesquisas neste momento medem mais知名度 (conhecimento público) e viabilidade percebida do que preferência consolidada. Quem tem 3% em janeiro raramente termina com 3% em outubro — a questão é se o candidato consegue converter tempo de TV, recursos e debates em tração.

O movimento maior: a direita que ainda não fechou

O fato não acontece sozinho. Nos últimos dias também foram oficializadas as candidaturas de Renan Santos (Missão), Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD). A convenção do PT, que sacramentará a tentativa de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, está marcada para o domingo seguinte, 2.

Esse é o pano de fundo relevante: enquanto o campo governista se apresenta com candidato único e máquina partidária azeitada, a oposição sai de blocos separados. Flávio Bolsonaro representa o bolsonarismo orgânico; Caiado representa o agronegócio e o centro-oeste; Zema representa o liberalismo urbano; Pablo Marçal (PRTB) e nomes menores disputam o mesmo eleitorado por outros recortes.

Por que isso importa

Para o calendário: a definição do vice é o último teste de viabilidade real da chapa Zema. Sem um nome de peso — e Joaquim Barbosa, ex-presidente do STF, seria um nome de peso inegável — a candidatura tende a patinar no mesmo 3%. Com ele, abre-se a porta para um discurso de "renovação da República" que pode furar a bolha do eleitor conservador mais institucional.

Para o STF: a presença eventual de Joaquim Barbosa na chapa muda o tom do debate. Não porque o ex-ministro esteja isento — toda candidatura é ato político — mas porque transfere para o centro do ringue um ex-integrante da Corte com autoridade moral sobre o tema. Para a Bússola Nacional, essa é uma das movimentações mais dignas de nota do ciclo: alguém que saiu do STF dizendo "não" à politização da Corte retorna ao debate público pelo caminho eleitoral, e não pela imprensa.

Para o Congresso e o bolso do contribuinte: a plataforma de Zema — privatização de Petrobras e Banco do Brasil, parcerias público-privadas, redução da máquina — toca diretamente no maior centro de gasto do orçamento federal e nos dois maiores patrocinadores de políticas públicas. Discutir essa agenda no primeiro turno é discutir quanto do PIB brasileiro será decidido por gestão estatal e quanto por mercado. É o debate que esta casa considera subdimensionado.

Para a estratégia da direita: a multiplicação de candidatos com 3% é, paradoxalmente, uma ameaça e uma oportunidade. É ameaça porque pode entregar o segundo turno ao campo governista sem disputa real; é oportunidade porque, ao contrário de 2018 e 2022, há nomes com plataforma liberal consistente para serem disputados pelo eleitor moderado. O custo de manter cinco candidaturas até as convenções partidárias é, em boa medida, o custo de não resolver antecipadamente quem fala pelo campo.

Para o leitor: o que se desenha é uma campanha em que a pergunta "qual é o seu vice?" valerá tanto quanto "qual é o seu projeto?". E Zema, por ora, tem uma resposta clara para a segunda pergunta e nenhuma para a primeira.

Perguntas frequentes

Quem é o vice de Zema?

Por enquanto, ninguém. O Novo confirmou o candidato, mas o nome do vice ainda não foi anunciado. O ex-ministro do STF Joaquim Barbosa é cogitado, mas a composição não está fechada, segundo a reportagem do portal Abril.com.br.

Joaquim Barbosa vai aceitar?

Não há confirmação pública nesse sentido. Barbosa chegou a avaliar candidatura própria pelo DC; agora estuda integrar a chapa de Zema. A decisão depende de conversas que, segundo o presidente do Novo, ocorrerão em breve.

Por que Zema tem 3% das intenções de voto?

O levantamento Nexus/BTG mostra empate técnico de Zema com Caiado, Renan Santos, Cury e Daciolo — todos na casa dos 3%. Para esta análise, isso indica um campo de direita fragmentado e baixa recall nacional de Zema fora de Minas Gerais, não um teto definitivo para a candidatura.

Zema responde a processo no STF?

Sim. Segundo a reportagem, ele é réu em ação movida pelo ministro Gilmar Mendes por calúnia, em razão de declarações públicas do próprio candidato contra autoridades da Corte.

O que a chapa defende na economia?

Plataforma liberal clássica: redução do tamanho do Estado, privatização de estatais — incluindo Petrobras e Banco do Brasil — e ampliação de parcerias público-privadas. A agenda está alinhada com a pauta histórica do Novo e foi explicitada na cobertura do portal Abril.com.br.

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